Grifes estão na mira do Greenpeace por uso ilegal de couro

Grifes estão na mira do Greenpeace por uso ilegal de couro

Getty Images terra

imassRelatório recente divulgado pelo Greenpeace chamado A Farra do Boi na Amazônia, resultado de uma pesquisa que levou três anos mapeando fazendas de criação de gado na Amazônia para identificar se a legislação ambiental é cumprida, começa a movimentar o mundo da moda. Adidas, Timberland, Gucci, Tommy Hilfiger e Nike foram citadas no documento.

A Nike acaba de divulgar novas regras para a compra de couro usado em seus produtos. Apesar de constar no documento, a empresa disse que não compra couro da região. Mas que irá exigir dos fornecedores brasileiros um certificado que comprove que a matéria-prima não foi produzida na floresta.

Segundo a empresa, também será pedido a todos os parceiros que integrem o Leather Working Group, formado por representantes de diversas empresas que pretendem estabelecer um protocolo para a compra do material de acordo com práticas sustentáveis.

 

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A Adidas, por meio de sua gerência de comunicação corporativa na Alemanha, respondeu ao Terra sobre sua inclusão no documento: “Partilhamos com o Greenpeace nossa preocupação sobre o impacto ambiental da Floresta Amazônica. O grupo Adidas é comprometido com práticas sustentáveis e se esforça para resolver os desafios ligados a esseobjetivo. O grupo não consome produtos oriundos de espécies ameaçadas. Nossa política proíbe o uso de couro de animais vítimas de

maus-tratos, sejam eles selvagens ou de fazendas de criação e todo o couro usado é subproduto da produção de carne. Nossos fornecedores de couro no Brasil confirmam que apoiam o Plano de Ação para a Prevenção e Controle do Desmatamento da Amazônia. Vamos continuar investigando para engajar nossos fornecedores nesse sentido.” As demais grifes citadas não responderam.

O Greenpeace pressiona exatamente para que sejam feitas mudanças nas últimas etapas da cadeia. “Pergunte sempre a origem dos produtos pecuários que você compra. Diga ao vendedor que você está preocupado com a proteção da Amazônia e não quer estar envolvido com o desmatamento da floresta”: esta é a recomendação dada pela ONG. “Nossas evidências ligam a cadeia contaminada de produtos amazônicos aos fornecedores de muitas marcas reconhecidas mundialmente, incluindo uma longa lista das chamadas empresas de primeira linha”, afirma trecho do relatório. Constam ainda BMW, Carrefour, EuroStar, Ford, Honda, IKEA, Kraft, Tesco, Toyota e Wal-Mart.

Se o relatório da entidade tem surtido efeito, outras iniciativas mesclam o uso consciente de materiais com ações de incentivo e informação e provam que as empresas do segmento fashion entram na era ecologicamente correta, buscando alternativas para criar uma moda sustentável sem renegar sua mecânica. Confira nos links mais ações de sustentabilidade:

1) Marcas famosas apoiam projeto de conscientização ambiental
O grupo Gucci, Alexander McQueen, Sergio Rossi, Bottega Veneta e Yves Saint Laurent apoiaram a divulgação do filme Home, documentário do ambientalista francês Yann Arthus-Bertrand que mostra a situação das áreas naturais do planeta em degradação. O longa, que estreou no último dia 5 de junho, Dia do Meio Ambiente, foi produzido por Luc Besson e pelo Grupo PPR (Gucci Parent Company).

As marcas criaram linhas de produtos especiais para promover o material com renda revertida para a organização não-governamental criada por Bertrand em 2005, a Gooplanet.org. Frida Giannini, diretora de criação da Gucci, criou uma camiseta feita com algodão orgânico, corantes naturais e embalagem reciclável. Alexander McQueen fez uma echarpe também de algodão orgânico que traz o planeta Terra mergulhado numa caveira, uma de suas marcas registradas. Yves Saint Laurent também apostou no algodão e criou uma linha de camiseta, top e bolsa. O designer de sapatos Sergio Rossi fez um escarpim ecológico, feito com madeira líquida biodegradável, desenvolvido pelo Instituto Fraunhofer, um dos mais importantes do mundo na pesquisa de materiais alternativos. O cabedal do sapato é de couro, material usado com o mínimo de desperdício.

2) Vivienne Westwood propõe comprar menos e não lavar as roupas
A moda punk que apareceu na Inglaterra nos anos 1970 e se consagrou com estilo na moda ganha novo fôlego. E pelas mãos e palavras da estilista-ícone Vivienne Westwood. Contestadora por natureza, suas coleções já criticaram o mundo da propaganda, propuseram a criação de nova silhueta feminina, entre outros desafios. Mas foi numa declaração recente que Westwood se superou. Participando do programa de TV Jonathan Ross, a estilista fez um discurso sobre impacto ambiental e seus reflexos principalmente na mudança climática. “Não gaste dinheiro, use o que você encontrar, adote o ‘faça você mesmo’ e use toalhas de mesa e cortinas para criar novos looks”, disse a estilista. Ainda completou: “Compre menos, mas escolha bem e, se estiver suja, não lave e a roupa vai parecer melhor.”

3) Estilista recria peças de coleções passadas
A estilista uruguaia Agustina Comas, que mora em São Paulo, descobriu nos estoques de outras marcas de moda a fonte de matéria-prima para seu trabalho. Batizada de In.Use, a marca traz roupas recriadas a partir dos encalhes de empresas nas temporadas anteriores. “Nasceu para questionar a grande quantidade de ‘lixo’ produzido a cada temporada pelas marcas de moda, com peças não vendidas”, disse. Apesar de criar uma nova peça a partir de uma velha, misturando materiais, tecidos e estampas, a roupa mantém o aspecto “industrial’ de sua herança.

4) Rede de supermercado cria índice verde até para roupa
Wal-Mart anunciou que irá implementar índice que determinará o impacto ambiental e social de cada produto vendido em suas lojas do mundo. Segundo a empresa, a medida ajudará os vendedores a decidir que produtos serão colocados à disposição dos compradores e estes poderão comparar os itens no quesito sustentabilidade. “O impacto dessa iniciativa verde será profundo. Sinto orgulho de fazer parte disso e saber que os resultados gerais irão mostrar como atingir os objetivos”, disse a estilista americana Norma Kamali, que cria coleção de roupas para a rede varejista.

O Wal-Mart ainda não divulgou que métodos serão usados para a avaliação, mas está sendo considerada pelo mercado como uma oportunidade de inovar e gerar negócios com foco em métodos verdes. Em geral, os fornecedores deverão informar que tipo de energia é usada em suas fábricas, tipos de tingimentos e tecidos são usados.

5) Materiais alternativos da Osklen
Apontada pela ONG ambiental WWF inglesa como uma das sete Future Makers (empresas que estão realizando ações concretas para conseguir criar novos padrões de comportamento), a Osklen usa materiais não convencionais. O diretor de criação da marca, Oskar Metsavaht, investe na pesquisa de matérias-primas alternativas e sustentáveis para criar suas coleções. Lona desenvolvida a partir da fibra de juta, “tyvec”, um polímero 100% reciclável, látex da Amazônia, algodão orgânico e biocouros, como o de pescado amarelo e de tilápia, além de acessórios de pupunha, são alguns dos itens que já foram usados nas roupas.

A marca também apoiou projeto para desenvolvimento de um tecido criado a partir da reciclagem de garrafas pet coletadas por pessoas de baixa renda, no Rio de Janeiro. Também apoia campanhas de combate ao tráfico de animais silvestres e é parceira da Unesco na divulgação de ações como a Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável. Todas as lojas da marca também são carbon neutral – toda a emissão de CO2 das lojas é neutralizada.

6) Estilista usa técnicas do passado
O estilista Stefan Miljanic não tenta criar novas fibras ou testar novos materiais. Ele desenvolve suas roupas como se estivesse no século XIX para sua marca Gilded Age (Era Dourada). Além de ter aspecto envelhecido, as roupas são feitas com técnicas artesanais, como o tingimento dos jeans, a produção das malhas que são construídas manualmente e a escolha dos tecidos, feitos de algodão ou fibras naturais como cashmere.

7) Marca tem sua própria cadeia sustentável
A marca Organic, criada em 2004 pelo estilista John Patrick, propõe não apenas uma coleção de roupas diferenciadas, mas um novo modelo de negócio sustentável. Para garantir que a produção atenda a critérios de preservação do planeta e éticos, Patrick criou sua própria cadeia têxtil, desde a plantação. Implantou fazendas para produção de algodão orgânico no Peru, treinou funcionários de fábricas em todo o mundo no manejo da matéria-prima que se transformam em peças de suas coleções.

8) Bitucas de cigarro viram roupas
O universo da reciclagem pode ser surpreendente. Uma estilista chilena transformou um dos subprodutos do cigarro em moda. Bitucas, coletadas em Santiago, foram usadas para a criação de uma trama rústica, que pode ser mesclada a outros materiais como a lã. Alexandra Guerrero confeccionou vestidos, ponchos e acessórios com o material.

9) Aposta em fibras viáveis
O uso de fibras obtidas por meio de culturas orgânicas é a bola da vez. Peças feitas de algodão orgânico, cultivado sem produtos químicos agrícolas, são a escolha da maioria dos que decidem apostar numa moda verde. O algodão é a fibra mais usada no mundo (50% do total) e o cultivo convencional pede o uso de muitos produtos químicos, contaminando o solo e causando problemas de saúde nos trabalhadores.

Entre as opções ecologicamente corretas, figura um produto já conhecido no Brasil, a fibra Tencel. Feita a partir da polpa de madeira, retirado de florestas gerenciadas, precisa de 20 vezes menos água no cultivo em relação à cultura do algodão. Muito usada em camisaria masculina e peças casuais, a mistura com o algodão para confecção do jeans é uma das apostas da Lenzing, produtora da fibra, e de empresas parceiras, como a tecelagem Canatiba, no Brasil. A mistura produz menos impacto ambiental, pois reduz o consumo de água em 45% e o uso de substâncias químicas em 35%.

Fonte: Terra moda

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